NómadaNão irei adiantar muito sobre a história, mas é capaz de haver alguns spoilers depois de concluir tudo o que tenho a escrever vejo que partes omitir.
A história não é nada de especial, quem já viu filmes de ficção científica chega a achar algumas coisas demasiado ridículas (o facto de a "alma" já ter sido uma aranha, um urso, uma flor) e irá descobrir que aquilo de ficção científica tem de facto muito pouco. De facto "The host" é mais um ensaio, uma utopia banal sobre os humanos (somos frios, rudes, tempestuosos, violentos, tal como amáveis e generosos) e estas características tornam-nos tão afáveis e atraentes...
Não há muito a dizer sobre as personagens, a senhora Meyer volta a falhar um pouco nesse campo e o facto de o livro ser gigante não ajuda muito visto que já me esqueci de bastantes páginas, que provavelmente não serviam para rigorosamente nada. A Noa (não sei como está no original) é vista como uma "pessoa" perfeita (.... dejá-vou monsieur Edward?) não cede aos ímpetos da sua hospedeira Melanie e tenta sempre fazer o que está correcto; por sua vez Melanie recusa-se a ficar sem o corpo e luta com todas as suas forças. Depois temos Jared (sorry mrs. Meyer mas a personagem está tão mal construída) que se ele não dissesse "amo-te" tantas vezes a Melanie acharia que era uma personagem como outra qualquer e não o homem que está apaixonado por a humana), depois sobra-nos Ian e Jamie que desempenham um papel importante e claro Jeb. Tirando a paixoneta de Ian por Noa que só se nota para aí na página 500 e tal, acho que a senhora Meyer tentou meter o tema do amor muito à pressa e de uma maneira trapalhona.
O livro tem 800 e tal páginas (tradução) com frases por vezes completamente desnecessárias e forçadas:
- Não. Lamento, Ian.
- Este momento deveria ficar registado. .... Isso era motivo suficiente para ter fazer acordar do choque"
"Franzi o sobrolho." - de facto esta expressão escusava de ter sido reciclada tantas vezes.
"Melanie resmungou em silêncio" não é que soe mal ... mas apenas falso...
A estrutura das frases e dos diálogos são simples, vocabulário limitado à excepção de meia-dúzia de palavras, e pensamentos pouco ou nada profundos. O fim está claro é o que todos esperam quando chegarem a meio do livro, mas curioso que mesmo quando Melanie tem o seu corpo de volta desaparece - não fala quase nada - enquanto Noa continua a descrever tudo de certa maneira acho que a mrs. Meyer acabou por aniquilar uma das personagens principais de modo inconsciente remetendo-a para o silêncio... Silêncio também sempre existente em Bella, que nunca se importa com nada.
Em suma, não é um livro memorável, não vale os 20... 17... 18€ que dão por ele, e passado algumas semanas vão-se esquecer de 90% do que leram. Quem leu a saga "Twilight" passa bem sem ler este. A senhora Meyer ainda tem muito que estudar e sem dúvida auto-controlo nas páginas. Acho que deveria escrever contos para começar a fazer uma selecção quando escrevesse estas histórias que cabiam muito bem em metade.








