Tuesday, February 23, 2010

Herland: a utopia feminina

Herland
Charlotte Perkins Gilman
Editora: Women's Press Ltd.
Ano: 1915
Páginas: 176



Herland como o título refere é uma utopia feminina e feminista, que narra a história de três homens e como estes encontraram um país no meio de uma floresta composto só por mulheres: adultas, jovens e até crianças. Feitos prisioneiros, os três homens, Van (o narrador); Jeff e Terry são mantidos num castelo e tratados com o máximo cuidado e respeito. Aprendem a língua de Herland aos poucos e com ela a cultura e muita da filosofia defendida pelas mulheres. Os três homens apresentam ideologias distintas de acordo com a sociedade vigente: Jeff é um homem "feminizado", delicado; Terry pelo contrário é um homem, cuja ideologia pode parecer mais próxima do machismo; Van encontra-se no meio, sociólogo e entusiasta da linguagem, Van acaba por ceder aos fascínio que Herland lhe proporciona. Os três jovens lançam-se à exploração de Herland, procurando encontrar uma sociedade retrograda, desorganizada e acima de tudo histérica; contudo acabam por encontrar um país tão antigo como o nosso, onde se cultiva o trabalho, a educação, a maternidade, numa sociedade perto de ser perfeita. Apesar de ter classificado o livro no máximo, este não está isento de defeitos. Existem algumas teorias um pouco improváveis e irreais (visto que se trata de uma utopia, o livro todo é irreal), como o caso da descendência composta por bébés do sexo feminino, assegurando a extinção do género masculino de Herland. Aliada à maternidade está, claro, a parentalidade inexistente em Herland. Devido a este mecanismo natural, as três educadoras de Van, Jeff e Terry não estranham a existência da virgem Maria, pois elas são também virgens que dão à luz bebes.
Com bastante engenho Charlotte Gilman consegue muito bem dar voz a um homem, apesar de ser uma obra feminista e feminina. As mulheres são claramente enaltecidas, mostrando o seu valor tanto para trabalhar como para cuidar dos seus filhos ao mesmo tempo. O problema reside mesmo nos visitantes, que com as mulheres a trabalharem, sentem que não lhes podem dar nada, salvo os seus nomes. Este presente presenteia um retrato redutor do homem, que após assistir impotente àquelas mulheres trabalhadoras e felizes pela sua vida simples, pacifica, só resta abandonar todos os ensinamentos da nossa sociedade e voltar às origens do mundo, onde homem e mulher são um casal, sem sedução, sem malícia, apenas por amor fraternal, sem poluição sociológica.
"Herland" deve ser lido por todas as mulheres que gostam de ser mulheres, ainda que pensemos que a nossa sociedade graceja a mulher com a independência tão sofrida, existe ainda bastante preconceito em relação às nossas capacidades e funções nesta sociedade misógena, que aos poucos tem cedido ao retrocesso. "Herland" marca essa luta pela igualdade entre os géneros, que irá marcar a primeira parte do século XX.

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