Monday, January 11, 2010

O filho das sombras

O filho das sombras
2º livro de Sevenwaters
Juliet Marillier
Páginas: 464
Preço: 17€06



Após a leitura de "A filha da floresta" sabia que o segundo livro da trilogia de Sevenwaters não iria seguir o mesmo caminho narrativa que o primeiro, ou seja peguei no "Filho das sombras" com a noção que não seria mais um conto de fada adaptado. Existem semelhanças salientes entre os dois livros: a maneira pouco ortodoxa como Sorcha (F. F) encontra os bretões e a maneira como Liadan é raptada por o bando do "Homem Pintado". Ambas são curandeiras não fosse Liadan a filha de Sorcha e Red e possuem ambas o dom de comunicar com os seus irmãos sem dizer uma única palavra. Sorcha teve três filhos com Red: Sean, Liadan (irmãos gémeos) e Niahm. Já só restam três irmãos: Liam, Conor e Finbar e o equilíbrio em Sevenwaters ameaça ser quebrado. As alianças tentam ser reforçadas através dos casamentos das mulheres: Niahm após uma relação proibida com o aprendiz de druida Ciarán é forçada a casar com Fionn, filho de Uí Néill. A união apaga por completo a chama de Niahm, sofrendo a exclusão por parte da família e também do marido que a maltrata tanto verbalmente como fisicamente. Mas o amor persegue também Liadan e Eamonn, um poderoso aliado de Sevenwaters, pede-a em casamento. Liadan não se sente preparada e pede um ano para lhe dar a reposta definitiva. Famosa por ser curandeira, uma noite uma senhora pede ajuda com o filho e Liadan acede ao pedido, quando chegam a casa Liadan é raptada pelo bando do "Homem Pintado" para salvar um ferreiro, Evan. Liadan tenta tudo, contudo avisa que Evan terá de perder o braço. Habituada ao amor em sua casa, Liadan aprende como a mente de um guerreiro funciona: como a vida pode ser cruel, e como nem todos a tratam com carinho. Apesar das maneiras rudes do "Homem Pintado" Liadam apaixona-se por ele e promete que nunca mais vai ter outro homem na vida. Bran (alcunha dada por Liadan) pede-lhe para não casar com Eamonn.

Gostei mais do que o primeiro, Juliet Marillier não perdeu o jeito, continua uma grande contadora de histórias através das suas personagens e estas sofrem alterações durante a narrativa. Agora vou ter de ler o resto da saga em inglês, o que de certa maneira acho que vai fazer apreciar ainda mais a história, visto que houve coisas que me irritaram na tradução.
Comecei a ler a trilogia de Sevenwaters para ver se gostaria da escrita da autora de modo a não meter o pé na poça ao comprar o "Wildwood dancing" mas tem vindo a surpreender.

Saturday, January 9, 2010

Cemitério de pianos

Cemitério de pianos
José Luís Peixoto
Editora: Bertrand
Data de lançamento: 2006
Páginas: 315
Preço: 15€



Apesar de ter iniciado a leitura deste livro com algumas reservas, disseram-me que José Luís Peixoto era um escritor muito bom, que mexia extremamente bem com os sentimentos. Pois bem, sendo "Cemitério de pianos" o primeiro livro que li dele devo dizer antes de mais que este livro é um murro no estômago, uma bofetada na cara e que por vezes esgana a nossa alma até perdermos a respiração. O livro conta a história de Francisco Lázaro (um atleta português) e da sua família: do seu pai que morreu, da mãe, das irmãs Marta e Maria, do seu irmão Simão e das(o) sobrinhas(o), todos unidos pelo cemitério de pianos da oficina do pai. A mudança do narrador e até do estilo narrativa apesar de por vezes ser um pouco confuso acaba por adicionar um quê de maravilhoso no livro. O estilo poético esbarra com os acontecimentos trágicos e pesados da narrativa. As personagens são extremamente humanas e há sempre uma condição trágica em cada uma delas. Os homens contrastam entre a personalidade violenta e a personalidade dócil, as mulheres submetem-se ao silêncio muitas vezes tentando lutar com o pouco que têm. As crianças, inocentes, são as únicas que ainda conseguem trazer harmonia e paz à destruição. Um livro vertiginoso para ler com muita calma e atenção. Irei pegar em mais livros do José Luís Peixoto agora que sei que o autor merece toda a minha atenção e dinheiro. Provavelmente o próximo será "Morrestes-me".

José Luís Peixoto é um escritor e dramaturgo português licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Escreveu entre outras obras "Cemitério de pianos", "Uma casa na escuridão"" e "Morrestes-me" dedicado ao seu pai após a morte deste.

Tuesday, January 5, 2010

Dead until dark: there are still bad vampires

Dead Until Dark
Charlaine Harris
Editora: Ace Books
Data de lançamento: 1 Maio 2001
Páginas: 292
Preço: 6€75



Após a invasão de Twilight e da multiplicidade de livros pseudo-vampirescos decidi que não ia ler mais nenhum livro sobre vampiros, pois se a maior parte das sinopses que eu lia era sobre vampiros bonzinhos ou vampiros com adolescentes o trauma do Twilight ainda estava fresco. O "Dead until dark" não foi uma compra prevista, foi uma compra de impulso destinada à minha prateleira até o hype dos vampiros ter passado. Como a leitura do "Cemitério de pianos" estava a revelar-se pesada e o facto de estar a dedicar-me 100% a cultura e literatura medieval alemã precisava de algo light para ler antes de ir para a cama.

Sookie Stockhouse é uma empregada de bar em Bon Temps com uma habilidade peculiar: consegue ouvir os pensamentos das pessoas, o que leva muita gente a pensar que ela é doida ou estranha. Por vezes só aparecem imagens outras vezes ela consegue ouvir. Mas nem sempre ela usa esta habilidade, a ética leva-a a nunca ouvir os pensamentos da avó, do patrão, das colegas de trabalho... Outro factor distinto nesta história é o facto de os vampiros serem aceites (dentro dos possíveis) na nossa sociedade. Cientistas conseguiram criar sangue sintético que substitui ás vezes o sangue de humanos. É então que Bill Compton, o primeiro vampiro de Bon Temps chega ao bar de Sookie e pede uma garrafa de vinho já que não havia "tru blood". Duas pessoas falam com o vampiro recém-chegado, os Rattrays e Sookie houve os seus pensamentos tomando conhecimento que ambos são "blood drainers" - pessoas que tiram sangue de vampiros para vende-lo no mercado negro. Sookie tenta avisar Bill mas quando volta os três tinham desaparecido. Sookie decide ir à procura do vampiro e encontra os Rattrays a tirarem sangue e luta contra eles (dentro dos possíveis) Bill fica assim em dívida para com Sookie e nasce uma estranha amizade entre os dois. Entretanto uma série de assassinatos destabilizam Bon Temps e os inexperientes policias suspeitam de Bill.

As personagens são verídicas dentro da normalidade. Esqueçam o "Twilight", em "Dead Until Dark" os vampiros são sexys (parecem coelhos por vezes), assustadores e por vezes maus e outras vezes conseguem controlar os seus instintos. É acima de tudo um livro para adultos com uma dosagem equilibrada de tudo. Tal como nós, breathable beings, também temos os nossos dias maus e dias bons. A relação entre Bill e Sookie é algo realizavel: têm problemas, momentos felizes, discussões tudo o que vivemos no nosso dia-a-dia mas com vampiros. A escrita é simples mas nem por isso deixa de ser menos boa, o ritmo é moderado, não acho que seja um page-turner. É um policial com vampiros que cumpre bem a sua função.

Sexta irei comprar o segundo da saga.

Sunday, December 20, 2009

A filha da floresta

A filha da floresta

1º livro da saga de Sevenwaters

Juliet Marillier

Editora: Bertrand

Preço: 17€06



“A filha da floresta” o primeiro livro da inicial trilogia de Sevenwaters é um livro que catapulta o leitor directamente para um mundo onde existe uma barreira entre fantasia, magia e realidade. Numa narrativa onde os contos de fadas tradicionais ganham uma nova vida, Juliet Marillier assume muitas vezes através da narradora e personagem principal Sorcha o papel de contadora de histórias. “A filha da floresta” conta a história de Sorcha, uma jovem que tem seis irmãos – Liam; Diarmird; Finbar; Conor; Padriac e Cormack - todos herdeiros de um reino em guerra com os bretões. Aliado ao facto que a mãe dos futuros herdeiros de Sevenwaters morrera no parto de Sorcha, o pai Colum encontra-se sempre ocupado em guerras para defender as fronteiras, enquanto os seus filhos são educados pelo ar livre da floresta e pelo padre Brian. Todos crescem felizes e cada um com um talento especial. A captura de um bretão irá ser a primeira grande aventura de Sorcha e Finbar que salvam o prisioneiro e tomam conta dele, mostrando Sorcha pela primeira vez como uma mulher diferente das outras da corte. O prisioneiro bretão representa o primeiro contacto que Sorcha terá de uma cultura diferente da dela, onde aprendemos várias histórias e lendas. Sorcha apesar de ainda ser uma criança demonstra um conhecimento bastante avançado na arte de curar e passa bastante tempo a cuidar do prisioneiro até que um dia os irmãos a vêm buscar a casa do padre Brian com a notícia que o pai irá casar com uma mulher – Lady Oonagh – uma bruxa que enfeitiçara Colum e aos poucos enfraquecera o reino de Sevenwaters. Os irmãos ao aperceberam-se das intenções da nova madrasta juntaram-se para a derrotar, mas o seu poder foi mais forte e transformou os irmãos de Sorcha em cisnes quando esta escapou com vida e ilesa para junto da floresta. Assustada e desorientada Sorcha pede ajuda à dama da floresta que aparece em seu auxílio e revela que para quebrar o feitiço Sorcha terá de fiar seis camisolas feitas de morugem para vestir nos seus irmãos quando estes se encontrassem com ela. Entretanto Sorcha estava proibida de falar e de contar a sua história por meio de gestos ou sinais. Sorcha dá assim inicio a sua aventura onde irá crescer aos poucos e poucos até vencer vários medos e a enfrentar vários desafios. Com um clima fantástico, mas também por vezes característico da Idade Média “a filha da floresta” conseguirá prender do inicio aos fim apesar de muitos reconhecerem a historia principal, ainda que o livro seja bom devido à parte da narrativa original. Para quem gosta de contos de fadas é um livro bastante bom, apresenta uma fantasia cuidada e até certo ponto moderada. O fim está bem construído de modo a ser lido em poucos momentos devido à emoção que transmite. Em alguns momentos fez-me recordar quando em adolescente esperava sempre que os pares românticos no fim beijassem-se depois de tanto tempo a lutarem por esse fim. Irei brevemente continuar a saga e mais tarde colocarei aqui a minha opinião. Para já deu-me uma enorme vontade de encomendar o “Wildwood dancing”.

Neverwhere - crítica

Neverwhere

Neil Gaiman

Editora: Presença

Preço: 13€46


Quando Richard Mayhew parecia ter a sua vida controlada no seu emprego fixo em Londres burocrático e o casamento com Jessica uma mulher quem em muito pouco tinha a ver com ele, um encontro repentino e estranho fez com que a vida da personagem mudasse para sempre. Richard Mayhew ajuda uma rapariga cheia de sangue saída não se sabe muito bem de onde, rompendo o casamento com a sua noiva após um ultimato desta. Richard Mayhew não parece ser um homem brilhante, mas apesar de tudo tem bom coração. Ao ajudar a rapariga vê-se envolvido em problemas especialmente com os dois senhores assassinos completamente sinistros e macabros – Croup e Vandemar – que conferem à narrativa um clima brilhante de terror. A rapariga, Lady Door, pede ajuda a Mayhew para ele encontrar um certo Marquês de Carabas (alusão clara à história do “Gato das Botas”), sendo este o único que a poderia ajudar. Mayhew descobre que existem duas Londres – uma Londres de Cima e Londres de Baixo e a única ligação entres estas duas é o movimentado metro. Richard Mayhew descobre um mundo estranho, desagradável, mas ao mesmo tempo que causa um fascínio na nossa imaginação. Os habitantes não são agradáveis nem muito pouco chegam a ser bonitos – existe o reino dos ratos, o reino dos corvos e ainda os “velvets” representações muito parecidas com os vampiros que sugam o calor humano. Mayhew vê-se de tal maneira envolvido na trama que deixa de existir para o seu mundo, passando somente a existir no mundo de Neverwhere. As personagens estão longe de serem agradáveis: se ao inicio o Marque de Carabas parece ser uma personagem de toda a confiança, ao longo da narrativa desconfiamos das suas intenções, o caçador que tudo indica ser uma pessoa de bons princípios e corajosa, não impede de ter os seus segredos. Nesta estranha viagem até Neverwhere a fuga da rotina para um lugar mágico encontra-se bem implica, sublinhando ainda a parte “dark” da prosa de Neil Gaiman que parece-me ser o seu forte. Após ter lido “The Graveyard Book” e agora “Neverwhere” parece-me muito difícil ler em Gaiman um mundo agradável, um mundo harmonioso. Gaiman serve-se dos sítios mais estranhos para criar uma história original e que prende ao leitor sem ser um “page turner”. “Neverwhere não é um livro onde o leitor deverá esperar que tudo corra pelo melhor, mas os crescentes obstáculos e personagens sujas e macabras fazem com que o fim seja o ideal e o perfeito. Em “Neverwhere” Neil Gaiman quase que nos tira a esperança para depois nos devolver, porque nem tudo na realidade por vezes tem de acabar mal ou como esperamos.

Wednesday, December 9, 2009

Livros para ler

Lista grande mas conto lê-los entre 2009 e metade de 2010:

- The sound and the fury: William Faulkner
- Beloved: Toni Morrison
- Faust: Goethe
- Decameron: Giovanni Boccaccio
- A divina comédia: Dante
- Beowulf
- O Processo: Kafka
- As mil e uma noites
- Paradise Lost: Milton
- O leitor: Schlink
- Effi Briest: Fontane
- 1984: George Orwell - lido
- Cemitério de pianos: José Luís Peixoto - lido
- Jerusalém: Gonçalo M. Tavares
- The grapes of wrath: John Steinbeck
- Pride and prejudice: Jane Austen
- The golden notebook: Doris Lessing
- Tropic of cancer: Henry Miller
- Madame Bovary: Gustav Flaubert

- Juliet Marillier:
A filha da floresta - lido
O filho das sombras - lido
Wildwood dancing - lido

- José Saramago:
Caim - lido
Memorial do Convento - lido
O ano da morte de Ricardo Reis

- António Lobo Antunes:
Os cus de judas
Eu hei-de amar uma pedra
O manual dos inquisidores

- Gabriel Gárcia Marquéz:
Cem anos de solidão
Amor em tempos de cólera
Memórias das minhas putas tristes - lido

- Neil Gaiman:
Coraline
Neverwhere - lido
Stardust

- J. R. R. Tolkien:
The legend of Sigurd & Gudrun - lido
The Hobbit - lido
The Children of Hurin

Por isso esperem algumas reviews destes livros nos próximos tempos :)

Tuesday, December 8, 2009

O que espera da Pérsia?


Morte na Pérsia
Annemarie Schwarzenbach

Editor: Tinta da China

Tradução: Isabel Castro Silva

Prefácio: Carlos Vaz Marques

Nº páginas: 144

Preço: 16€20



O título “Morte na Pérsia” pode alimentar na imaginação do autor um livro romântico com uma história envolvente, um daqueles romances que nos mete a chorar no fim… pois bem desengane-se! “Morte na Pérsia” é na verdade um livro de viagens onde a autora descreve as paisagens da Pérsia um local triste, com um clima insuportável, onde as suas memórias mais tristes aguardam-na. O livro está dividido em duas partes: a viagem concreta e a vida pessoal da autora. Sim meus caros não pensem que este livro é daqueles livros de viagens ocos que só compensará o seu dinheiro com as descrições e bajulações de um mundo exótico. A descrição de Annemarie é fiel à realidade ou não será bem assim? Por entre febres, doenças e analepses, Annemarie conta com a realidade para fugir à morte ou a um mundo interior desolado e morto. No entanto aquilo que encontra na Pérsia, uma espécie de refúgio, nada mais é que uma ilusão. A dependência da morfina acabou à uns tempos, mas o seu romance com Ialé aterroriza-lhe a alma… A morte é vista como substituta da felicidade… como é que Ialé e Schwarzenbach poderiam algum dia serem felizes?

“Morte na Pérsia” foi escrito nos anos 30, a autora tenta lutar contra o nazismo, no entanto sempre longe da Alemanha. Após uma vida de depressões, escândalos, drogas e tentativas de suicídio, morre tragicamente (e ironicamente) numa queda de bicicleta aos 34 anos, na Aústria

Citações do livro:

“Não me ouvia. Pensava em qualquer coisa muito distante.

Queríamos falar sobre a felicidade, e nem notámos que era na morte que pensávamos…”

“Descemos do cimo do desfiladeiro até ao vale, quase um abismo entre duas montanhas. Lá em baixo não havia nada, era um vale morto, muito distante do mundo, muito distante de plantas e árvores”