Thursday, December 3, 2009

Primeiras impressões do senhor Tolkien e dos seus Nibelungos


Não duvido que muita gente não se importasse de ter o senhor Tolkien como avô para contar as mais variadas histórias sobre cavaleiros, dragões e duendes. No entanto gostaria, pessoalmente, de ter o prazer pelo menos uma aula ou uma conferência. Que o senhor devia de ser bom já eu sabia, de facto existe muito pouca gente neste mundo que admite detestar o senhor (não quer dizer que não exista). Decidi também contrariar a maior parte das pessoas que começa o seu percurso literário de Tolkien com o famoso "Lord of the Rings" Quando soube que iam publicar um inédito que Tolkien escreveu sobre Völlsung saga decidi instigar e saciar a minha curiosidade de tudo o que era dito. Recebi o meu exemplar esta segunda-feira (versão Harback em inglês) e foi com entusiasmo que li o índice e verifiquei que iriam haver várias explicações sobre a dita obra. Antes que seja tarde e me perca em explicações e algumas quotes dos livros gostaria de adiantar-me com uma palavra aos fãs para dizer que apesar de haverem imensas explicações - LEIAM as explicações e tudo o que Christian Tolkien escreveu, de preferência com um lápis e uma folha ao lado. Podem achar algumas páginas aborrecidas no entanto existem algumas informações sobre estudos que Tolkien realizou que devem ler acima de tudo para entender a origem do poema etc. Se iniciarem a leitura do poema sem lerem isto não irão entender nada de nada e vão pensar que o Tolkien estava maluco quando escreveu aquilo... Os poemas são complicados devido à sua estrutura peculiar e penso que muita das aliterações tenham desaparecido com a tradução. Tentei traduzir umas poucas frases de modo a manter a ideia original, contudo parece-me uma tarefa somehow exequível mas que demoraria um certo tempo e uma odisseia pelo dicionário. O meu segundo concelho é: se tiverem conhecimentos bons de inglês (visto que o original tem algumas palavras "difíceis") leiam em inglês. Este é um daqueles livros que ler em português e ler inglês é como a água para o vinho, mesmo assim não estando 100% segura irei pegar num exemplar na FNAC para comprovar.

A minha primeira impressão foi talvez um bocado ingénua, pois estou a ler o livro em paralelo com os Nibelungos, mas sinto que quem não souber muito sobre a mitologia nórdica fica um bocado perdido no inicio com alguns Deuses. Mesmo assim, nada que a Wikipedia não resolva. E no fim do 1º poema tem mais umas páginas a explicar as lendas e coisas mais óbvias para quem não entendeu bem, por isso não se preocupem que nunca acabam de ler o livro a perceber "rien de rien" :)

"The Legend of Sigurd & Gudrun" é feita de paralelos entre estrofes brilhantes, principalmente os discursos de Brynhild que em muito me lembram os de Cleópatra na obra de Shakespeare, e algumas sem musicalidade. Creio que Tolkien não teve oportunidade de rever, mas é melhor rever, para não cair em erros desnecessários.

Deixo aqui algumas quotes do poema para terem uma noção de como é a versão original e talvez um pouco da personalidade de Brynhild :)

Sigurd: Wake thou! wake thou!
Wide is day light.
I ride to my realm
to array the feast."
Brynhild: Gunnar, Gunnar,
with gleaming eyes,
on day appointed
I shall drink with thee" (VIII, Brynhild Betrayed, 34)

"Then Gunnar offered
gold and silver
gold and silver
gleaming-hoarded.
Brynhild "Gunnar speak not
of gold and silver
swords were ne dearer
to slay my life" (IX Strife, 39)

"Gunnar: Brynhild, Brynhild
I better hold her
than all women
than all treasure.
I will life sooner leave
than love her now
that live lonely
for laughter of men." (IX Strife, 48)


Agora aventurar-me-ei pelo segundo poema, mais tarde deixarei uma espécie de resumo das várias secções e também mais algumas opiniões.

Wednesday, December 2, 2009

Golden afternoon



Little bread-and-butterflies kiss the tulips,
and the sun is like a toy balloon.
There are get up in the morning glories,
in the golden afternoon.
There are dizzy daffodils on the hillside,
strings of violets are all in tune,
Tiger lilies love the dandy lions,
in the golden afternoon,
the golden afternoon.
There are dog and caterpillars and a copper centipede,
where the lazy daisies love the very peaceful life they lead...
You can learn a lot of things from the flowers,
for especially in the month of June.
There's a wealth of happiness and romance,
all in the golden afternoon. ...
All in the golden afternoon,
the golden afternoon...

Monday, November 30, 2009

Das Nibelungenlied - "breve" sumário parte III

Siegfried e Kriemhild viajam até à Holanda (terra de Siegfried) e passam-se dez anos quando Kriemhild teve um filho de Siegfried à qual chamou-o de Gunther e Brünhild teve também um filho de Gunther à qual chamou-o de Siegfried. Durante este tempo todo Brünhild pensa ainda na triste sorte de Kriemhild por ter casado com um vassalo e relembra que Siegfried há muito tempo que não pagara os seus tributos. Assim sendo muito gosto traria à rainha ver Kriemhild e convence Gunther a chamar o casal a Worms. Brünhild recebe calorosamente Kriemhild com grande cortesia e as festividades continuaram por dez dias, até que eventualmente Brünhild enaltece Gunther a dizer que ele era mais poderoso, Kriemhild sem deixar de defender o seu marido enaltece também a força de Siegfried. É decidido que quem entrar primeiro na Catedral terá o estatuto superior. Kriemhild acusa Brünhild de ser amante de Siegfried mostrando o anel e o cinto como provas públicas. Brünhild, humilhada, chora e conta tudo a Gunther e Hagen. Hagen promete vingar a sua senhora e Gunther questiona Siegfried da eventual possibilidade de ser ter vangloriado da noite. Siegfried nega e é “perdoado”, castigando Kriemhild depois por ter levantado falsas acusações.

Ainda que tenha havido um evento público para perdoar Siegfried, Hagen não se contenta e revela que a desfeita feita à rainha foi grave e por isso Siegfried teria de sofrer consequências mais pesadas. Gunther, de inicio, recusa este plano, no entanto depois acaba por concordar tal como Gernot e Giselher. Sobre o propósito de proteger Siegfried de potenciais inimigos Hagen pede a Kriemhild que borde na roupa de Siegfried uma cruz onde reside o seu ponto vulnerável. Kriemhild aceita e prontamente borda uma cruz em preto. Quando os homens (Gunther, Siegfried e Hagen) saem para a caça, Kriemhild pensa no pedido de Hagen e desconfia das suas intenções. Mesmo assim Siegfried encontra-se já a caçar e reafirma o seu estatuto de rei poderoso. Hagen consegue matar Siegfried retirando-lhe previamente a espada e enquanto Siegfried abaixa-se na fonte para beber, morrendo com uma lança nas costas, representando um acto desonroso. Siegfried tem direito a uns minutos de vida onde faz um longe discurso amaldiçoando-os a todos. Hagen pega no corpo e lança-o à porta de Kriemhild, quando uma aia avisa a rainha que está um corpo à porta e Kriemhild sabe de imediato que é Siegfried. Todos choram a perda do rei, homens e mulheres e no dia do funeral Kriemhild sabe que o culpado da morte de Siegfried será aquele que quando passar pelo cadáver, este começa a sangrar. Quando Hagen passa pelo corpo de Siegfried, o corpo sangra e Kriemhild usando esta prova publica acusa-o de ter morto o marido.

Sunday, November 29, 2009

Wanna-be-poet



I sensed the smell of blood
When we were sleeping in my bed
I smelled your body in a mud
Your head cut to pieces
My tongue bleed.



I dreamt you were leaving
and all hope was gone
I dreamt you were dying
with your head on a rope.

I awoke of these strange dreams
among tears and screams,
you were waiting for me dead
With your pale head
decorating the wall of my hall...


PS: só erros XD

Saturday, November 28, 2009

Das Nibelungenlied - "breve" sumário parte II

Gunther faz um pacto com Siegfried na qual este promete ajudá-lo a conquistar uma rainha da longíqua Islândia chamada Brünhild, sendo que em troca Gunther dar-lhe-á a mão de sua irmã Kriemhild. Gunther reúne os conselheiros e pergunta se devem rumar à Islândia com mil homens, mas tal como tinha acontecido com Sigmund, Siegfried avisa Gunther que mil homens não farão diferença alguma, pois não será assim que conquistará Brünhild. Sabemos de antemão que Siegfried e Brünhild poderão ter tido um caso amoroso prévio, no entanto isto não é relatado na história talvez porque o poeta soubesse que esta história seria possivelmente já bastante conhecida. Siegfried sabe como derrotar Brünhild e sabe também o caminho para a Islândia, contudo continua a aconselhar Gunther a não ir, sabendo que todos os pretendentes que falhassem os três jogos propostos por Brünhild morreriam. Hagen, como bom conselheiro, ignora Siegfried e encoraja Gunther a deslocar-se à Islândia. Assim preparam-se para a viagem de barco até ás geladas terras da Islândia e quando chegam vêm as damas de Brünhild à espera na janela. Ao saber que é Siegfried quem vem, Brünhild pensa de imediato que este quer desposá-la, no entanto Siegfried alerta Gunther que será preciso mentir para que tudo corra bem. Siegfried será portanto introduzido como vassalo de Gunther, de forma a enaltecer o poder de Gunther, para que Brünhild não pense que Siegfried quer casar com ela. Ao apresentar-se como candidato à mão de Brünhild, Gunther fica a saber das tarefas que terá de cumprir para casar-se com Brünhild. Siegfried planeia ajuda o amigo através do seu manto invisível e finge ficar no barco para a rainha não se aperceber dos seus planos. Quando Brünhild aparece completamente armada Hagen reconhece que a rainha se assemelha a uma noiva demónio e que estão desgraçados por se terem de subjugar a uma mulher. Dá-se inicio aos jogos e uma pedra gigante é trazida por doze homens, pedra que Brünhild sem muita dificuldade atira depois de arremessar a lança. Entretanto Siegfried toca em Gunther e revela que vem em seu auxilio e pede-lhe segredo de tudo o que está a acontecer. Siegfried consegue ganhar Brünhild em todos os jogos para raiva da rainha que é forçada a reconhecer a sua derrota. Reaparece Siegfried a dizer que teve todo este tempo no barco e pergunta porque é que os jogos ainda não começaram. Informam-no da vitória de seu senhor Gunther, o que muito apraz a Siegfrid.

Brünhild terá de ir com Gunther até a sua corte em Worms e deixar a Islândia a cargo de um tio. Quando chegam à corte, Siegfried relembra Gunther da sua promessa e as duas rainhas casam no mesmo dia. Brünhild ao ver Kriemhild – uma rainha - casar com Siegfried – um vassalo – começa a chorar por pena de Kriemhild por casar com um vassalo. A noite de núpcias corre bem para Siegfried e Kriemhild devido ao amor que nutrem um pelo outro, já nos aposentos de Brünhild e Gunther a rainha pede a Gunther que lhe explique a razão do casamento inferior de Kriemhild mas Gunther recusa a responder, e quando tenta tocar Brünhild ela amarra-o à parede de modo a deixá-la dormir. O rei pede para desamarra-lo, que não irá tentar nada com ela. Ao outro dia Siegfried pergunta a Gunther como correu a noite e o rei conta-lhe tudo. Mais uma vez Siegfried compromete-se a ajudar, visitando os aposentos de Gunther essa noite com o seu manto invisível de modo a subjugar Brünhild mas nunca mais que isso, pois era Kriemhild quem ele amava. Nessa noite Siegfried luta com Brünhild que continua a recusar dar a sua virgindade a Gunther. Siegfried prendeu-a na cama com violência que ouviu-se os ossos a partir e gritos de dor, aí tirou-lhe o cinto (símbolo da virgindade) e o anel (símbolo do amor), símbolos que deu a Kriemhild, ninguém sabe muito bem o motivo. Gunther conseguiu assim exercer o seu papel de homem e marido enquanto Brünhild teve de renunciar à sua cólera e virgindade.

Das Nibelungenlied - "breve" sumário

Depois de concluir a leitura e estar brevemente a terminar o estudo desta obra (em alemão) decidi iniciar um sumário da obra em (para já) 3 partes. "Das Nibelungenlied" é uma obra que retrata maravilhosamente o período cortês misturado com um pré-cortês, com um desenrolar de costumes preciosos por vezes para um maior aumento do conhecimento histórico e literário. Depois de "Das Nibelungenlied" já consta na minha wishlist "Beowulf" e estou à espera de "The legend of Sigurd and Grundun" de J. R. R. Tolkien.

Das Nibelungenlied - Mittelhochdeutsch / Neuhochdeutsch

By Siegfried Gosse, Karl Bartsch, Helmut De Boor

Format: Paperback

1019 pages

ISBN: 9783150006443

Publisher: Philipp Reclam Jun Verlag GmbH

No âmbito de uma disciplina da minha faculdade e talvez motivada pelo desejo de voltar a estudar alguma coisa sobre a Idade Média comecei a ler “A canção dos Nibelungos” (tradução em português só uma brasileira que no entanto recomendo). Contudo não esperem deste livros histórias baseadas só na mitologia nórdica/ germânica. “Das Nibelungenlied” tem laivos do período pré- e cortês, que não só dificultam por vezes o entendimento de algumas situações, como também acaba por fornecer uma diversidade de personalidades e comportamentos dentro das personagens principais. Estas são no entanto já conhecidas do público geral. O livro inicia com Kriemhild (Grundun ou Grimhild para alguns), uma bela donzela que sonha com um falcão sendo atacado por duas águias, este sonho, a sua mãe revela que é um premonição de que Kriemhild conhecerá um jovem belo e apaixonar-se-á por ele. Kriemhild recusa-se a acreditar que irá amar algum cavaleiro. Há um desenrolar de nomes a maior parte sobre a família de Kriemhild: os seus três irmão Gunther, Gernot e Giselher, e a sua mãe Uta.

Na segunda aventura o poeta leva-nos até à corte de Siegmund e de seu filho Siegfried, que ouve falar da enorme beleza de Kriemhild e decide ir buscá-la à corte em Worms. Outra vez é-nos dado a conhecer informações sobre a família de Siegfried tal como aconteceu com Kriemhild. Ao mencionar as suas intenções a seu pai, Sigmund adverte o filho que não é com violência que se conquistam as donzelas (primeiro sinal do período cortês). Ao chegar a Worms, Hagen (conselheiro de Gunther que tudo sabe) informa Gunther dos feitos de Siegfried. É também a primeira oportunidade ao leitor/ouvinte (na época?) de se situar na história. Siegfried matou os corajosos Nibelungos – Schilbung e Nibelung, filhos de um poderoso rei e ao dividir o tesouro com eles em troca deram-lhe a espada dos Nibelungos. Vende que nem todos se contentavam com a partilha do tesouro Siegfried enfurece-se e matou-os a todos. Sabe-se também que Siegfried banhou-se em sangue de dragão tornando a sua pele impenetrável salvo num ponto nas costas onde uma folha se teria alojado quando Siegfried se banhava equiparando Siegfried a Aquilles. Siegfried continua determinado em buscar Kriemhild à força causando espanto na corte de Gunther. Os ânimos por sua vez ficam mais calmos e Gunther recebe muito bem Siegfried conseguindo que ficasse na corte de Worms um ano sem ver Kriemhild. Enquanto está na corte Siegfried serve como uma espécie de aliado a Gunther (esta aliança servirá até meio da história) e é graças a Siegfried que Gunther vence os Saxões provando a sua lealdade e utilidade futura a Gunther.


Wednesday, November 4, 2009

NANOWRIMO 2009 - GET SET GO!

A corrida ao Nanowrimo já começou desde Domingo mas confesso que tenho tido pouco tempo para escrever tudo a tempo e horas. Para já vou ainda no inicio do 2º capitulo com quase 3000 palavras quando deveria de estar nas 8000. Causa-me um bocadinho de confusão como querem que consigamos escrever uma novela de 157 ou 175 páginas em um mês quando na verdade os escritores levam por vezes mais que um ano a fazer o mesmo. De certo que é um incentivo à escrita e de facto fez com que começasse a escrever mais depressa. Não conto acabar com as ditas 100 e tal páginas, até porque a história que eu quis escrever não dá para tanto. Adianto só que, sendo o meu primeiro "livro" para crianças estou bastante insegura quanto à linguagem e aos temas/símbolos que escolhi para o desenvolvimento da história. Aos poucos vou vendo e revendo o filme da Disney da "Alice no País das Maravilhas" e também outros contos como os de Grimm/ Pierrout e La Fontane para ver o tipo de linguagem usada. Penso que um livro com 90 páginas para uma criança já é bom o suficiente. Deixo-vos também com uma série de quadros lindos de Josephine Wall - que para além de mágicos deixam-me sempre a sonhar um bocadinho.

Deixo também a lista de "currently reading":
- Stephen King: The Shinning (leitura conjunta)
- Paul Auster: Invisible